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Economia

Dólar cede após sinalização do Fed sobre juros americanos

O movimento do câmbio refletiu a ata do Federal Reserve, que indicou possível pausa nos aumentos de juros. Analistas divergem sobre os efeitos para o Brasil.

Por Henrique Matos · 3 de julho de 2025 · Atualizado às 16h22

O dólar fechou a sessão desta quinta-feira em queda de 1,2%, cotado a R$ 5,31, após a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve, o banco central americano. O documento sinalizou que o comitê de política monetária considera uma pausa nos aumentos de juros caso os dados de inflação continuem recuando.

Para o mercado brasileiro, a notícia foi recebida com alívio. A perspectiva de juros mais baixos nos Estados Unidos tende a reduzir a atratividade dos títulos americanos e aumentar o fluxo de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil.

O que diz a ata

O documento do Fed, divulgado às 15h (horário de Brasília), mostrou que membros do comitê debateram a possibilidade de manter os juros estáveis na próxima reunião, em agosto. A inflação americana recuou para 3,1% em junho, ainda acima da meta de 2%, mas em trajetória descendente pelo quinto mês consecutivo.

"O comitê avalia que pode ser apropriado manter a taxa de juros estável enquanto monitora os efeitos das altas anteriores sobre a atividade econômica", diz trecho da ata.

Efeitos para o Brasil

Economistas consultados pela Revista Brasil divergem sobre a extensão dos benefícios para o país. Para Mariana Lopes, da XP Investimentos, a queda do dólar é bem-vinda, mas pode ser passageira. "O mercado reagiu ao título, mas a realidade é que os juros americanos ainda estão altos. Não há nada definitivo."

Já o economista Paulo Drummond, do Insper, vê o movimento com mais otimismo. "Se o Fed pausar em agosto, isso abre espaço para o Banco Central brasileiro ser mais agressivo na redução da Selic no segundo semestre. Seria uma combinação favorável para o crescimento."

A Bolsa de Valores brasileira também reagiu positivamente, com o Ibovespa subindo 1,8% e fechando acima dos 130 mil pontos pela primeira vez em três semanas.

Riscos no horizonte

Apesar do otimismo do dia, analistas lembram que o cenário externo permanece incerto. A guerra comercial entre Estados Unidos e China, que voltou a escalar em junho com novos tarifaços, pode pressionar os preços globais e complicar o trabalho dos bancos centrais.

No Brasil, o risco fiscal também não desapareceu. O déficit primário do governo central ficou em R$ 28 bilhões no primeiro semestre, acima do previsto, o que mantém pressão sobre os juros domésticos independentemente do que aconteça nos EUA.

HM
Henrique Matos
Editor de Economia
Henrique cobre mercados financeiros e política econômica há quinze anos. Antes da Revista Brasil, trabalhou em portais especializados em finanças e foi correspondente em Nova York por dois anos.